Hábitos não saudáveis: os inimigos do coração

  • Paula Martins
  • 29/09/2013
  • 01:00

Genética também é responsável por alguns problemas

Hoje, no Dia Mundial do Coração, o Jornal de Limeira traz uma entrevista com o médico cardiologista, Alexandre Thiago Rachid Mazer. O profissional, que é formado pela USP (Universidade de São Paulo) e tem especialização em Arritomologia (arritmia cardíaca) pelo InCor (Instituto do Coração), afirma que além da genética, o principal motivo que faz os índices de doenças do coração subirem são os hábitos nada saudáveis de jovens, adultos e idosos no Brasil.

Por isso, clínicas e hospitais estão cheios de pacientes com diversos problemas cardiovasculares. Confira os principais trechos da entrevista.

JORNAL DE LIMEIRA - Doenças cardíacas são genéticas?
ALEXANDRE THIAGO - As causas de doenças cardíacas são geralmente adquiridas por fatores de risco da população, sendo a menor parte de responsabilidade genética (desordens herdadas de geração em geração) e congênita (defeito de nascimento do coração).

JL - Quais são as principais doenças do coração?
ALEXANDRE THIAGO - As principais doenças encontradas no consultório cardiológico são: hipertensão arterial sistêmica (prevalência atual ao redor de 30% da população adulta), valvopatias adquiridas por complicação de febre reumática (mais comum em adultos jovens ou por envelhecimento importante das valvas em pacientes mais idosos), arritmias (sendo as mais comuns as extrassistóles que são falhas no compasso do coração, geralmente benignas), miocardiopatias dilatadas (dilatação do músculo cardíaco), e doença aterosclerótica coronariana com insuficiência coronáriana crônica e infarto agudo do miocardio (envelhecimento e obstrução das artérias que irrigam o músculo cardíaco).

JL - Quais são as causas mais comuns dessas doenças?
ALEXANDRE THIAGO - No caso da hipertensão arterial sistêmica, a "pressão alta", são: origem genética (parentes de primeiro grau com a mesma doença), obesidade, sedentarismo, idade acima de 30 anos e consumo excessivo de sal. Já as causas mais comuns de miocardiopatia dilatada são: diabetes mellitus, hipertensão arterial, coronariopatia obstrutiva crônica (obstrução das artérias do coração), infarto agudo do miocardio, doença de Chagas, alcoolismo, intoxicação por drogas ilícitas (cocaína, crack, anabolizantes, anfetaminas), intoxicidade por drogas cardiotóxicas (exemplo: drogas usadas para quimioterapia no tratamento de câncer de mama ou linfoma), obesidade, miocardite (infecção viral que acomete o músculo cardíaco). No caso de infarto, as causas mais comuns são: diabetes mellitus, hipertensão arterial, colesterol e tabagismo.

JL - Há como prevenir essas doenças?
ALEXANDRE THIAGO - A prevenção se dá por mudanças do estilo de vida. É preciso praticar atividade física (caminhada por 40 minutos por quatro vezes na semana em passo largo de modo contínuo); manter um peso ideal; não fumar; não beber; não consumir sal em excesso e ter uma dieta rica em fibras, carboidratos integrais e carnes magras.

JL - É comum doenças cardíacas em jovens?
ALEXANDRE THIAGO - Doença cardíaca em jovens é incomum, porém, existe. Por esse motivo existe a necessidade de se realizar exames de rotina em jovens com idade inferior a 35 anos, principalmente, antes de iniciar atividade física. Sabemos que nessa faixa etária as causas mais comuns de cardiopatias são doenças do músculo cardíaco adquiridos ou de caráter genético, doenças genéticas arritmicas, doença cardíaca congênita e doenças valvares. Sabemos que várias destas patologias são causadoras de morte súbita em jovens com idade inferior a 35 anos e que haverá três óbitos para cada 100 mil jovens durante exercício físico. Quando o paciente visita um consultório cardiológico e se realiza uma anamnese bem feita sem fatores de risco (queixa do paciente, antecedentes pessoais e familiares), exame clínico normal (sem sinais de doença cardíaca ao exame físico do paciente) e eletrocardiograma normal, há diminuição de morte súbita em 10 vezes, ou seja, 0,3 óbitos a cada 100 mil pacientes.

JL - Porque ultimamente as doenças cardíacas em jovens têm sido tão comum?
ALEXANDRE THIAGO - Existem fatores de risco que podem sugerir doença cardíaca grave em jovens. São vários: história de desmaio durante o pico do esforço físico no exercício, palpitação taquicárdica súbita durante exercício, dor no peito de forte intensidade durante a prática de exercício, piora do condicionamento físico imotivada (falta de ar e dificuldade de treinar, apesar de não ter parado ou mudado o treinamento físico já realizado anteriormente), uso de drogas ilícitas como cocaína, crack, anfetaminas, fórmulas para emagrecer e uso de anabolizantes.
Há também outros sinais de risco de morte súbita: história familiar de morte súbita com idade abaixo de 35 anos de parentes de primeiro grau sem causa aparente. Ao exame clínico, a presença de sopros cardíacos sugestivos de serem graves, edema importante de membros inferiores ("inchaço"), aumento da área cardíaca, pressão alterada ou alteração do eletrocardiograma também podem sugerir doença cardíaca estrutural e risco de morte súbita durante esforço físico.

JL - De quanto em quanto tempo é necessário visitar um cardiologista?
ALEXANDRE THIAGO - Os exames de rotina devem ser feitos sempre que for iniciar atividade física independente da faixa etária da pessoa. Crianças e adolescentes devem ir ao cardiologista ao menos a cada três anos, se não houver sintomas e na idade acima de 18 anos, sugere-se visita ao consultório anualmente para realizar anamnese, exame clínico e eletrocardiograma. A partir do momento que se descobre doenças crônicas como hipertensão, diabetes ou colesterol alto, os retornos são realizados a cada quatro a seis meses, assim como pacientes com doença cardíaca estável.

JL - Pessoas que sofrem alguma doença do coração vivem normalmente ou há restrições?
ALEXANDRE THIAGO - Os cardiopatas que estão compensados, com exames controlados e tratamento adequado, podem ter qualidade de vida absolutamente comparável a população saudável da mesma faixa de idade desse paciente. Além disso, existe hoje em dia, clínicas de reabilitação cardíaca com profissionais especializados em treinamento físico de pacientes cardiopatas. Isso tem um grande impacto em melhora dos sintomas e tendência a aumento de sobrevida em estudos recentes.



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