Estatística de agência revela que desconfiança de cônjuge geralmente tem fundamento: de cada 30 casos, em 29 há adultério.
Relações entre casais movimentam o setor dos detetives da região. Apenas em Limeira, aproximadamente dez contratos de investigações conjugais são realizados por mês, contra uma média de seis casos mensais do segundo tipo de averiguação mais comum, que é a de cunho empresarial. Pelo menos é o que ocorre na agência Investigo - Informações Reservadas, com sede em Piracicaba, que atende há 17 anos todas as cidades da região e do Brasil.
As informações são do detetive Alex Nunes, que é um dos 17 membros da agência. Ele trabalha no ramo desde os 18 anos. "Muita gente tem medo de jogar o relacionamento fora por uma dúvida. Então, para garantir tranquilidade, contratam o nosso serviço", comentou.
O número de confirmações de adultério, segundo o detetive, surpreende. De cada 30 casos acompanhados pela equipe, em 29 está ocorrendo de fato a traição. "Por mais que a pessoa tenha esperança de estar equivocado, geralmente quem chega ao ponto de pedir por uma investigação deste gênero está com dúvidas muito explícitas. Nesse caso, o que resta é ter provas concretas do que está acontecendo", falou.
Segundo o detetive, os maiores contratantes do serviço são os homens. Nunes afirma que, de cada dez casos que chegam na agência, sete são de mulheres que possivelmente estão traindo. "Os homens geralmente dão indícios que estão enganando a companheira, que acaba descubrindo por si só o que está acontecendo. Mas, as mulheres são mais inteligentes e discretas neste ponto, sendo difícil comprovar a infidelidade sem ajuda", falou.
MULHER INFIEL
Há um caso que ocorreu em Limeira, segundo o detetive, de uma mulher que tinha dois amantes. "Flagramos esta moça com um celular diferente, que o marido disse desconhecer. Levantou a lebre. Percebemos que ela usava este aparelho apenas para manter o contato com os amantes", disse.
O primeiro caso a ser detectado? Um rapaz que ela se encontrava alguns dias na semana. "O homem entrou no motel, sozinho, com o carro dele. Em seguida, ela entrou dirigindo o próprio veículo. Depois disso, nós entramos também e ficamos na espreita", disse. "Dito e feito. Eles se encontraram lá dentro e entraram no mesmo quarto", falou.
O cliente foi acionado e fotos e filmagens da primeira infidelidade já estavam em mãos. "Nessa hora a gente precisa falar a verdade de cara, sem voltas. Somos um pouco psicólogos também. Muita gente chora. Mas, tentamos mostrar que, pelo menos, a mentira não prevalece mais", comentou.
O cliente, que descobriu a traição da mulher, não estava satisfeito: queria mais provas, pois tinha ainda mais dúvidas. "Já estávamos especulando outra atitude suspeita desta mulher em uma padaria. Ela trocava olhares com o atendente, algo bem estranho", disse.
Todos os fins de tarde estava lá, a mulher tomando o café e com olhar fixo no atendente. "Até que um dia ela parou atrás da padaria e o esperou. Eles saíram juntos algumas vezes. Nosso serviço foi concluído e o casal teve muito o que resolver depois disto", comentou.
LOGÍSTICA
De acordo com Nunes, o custo de uma investigação conjugal varia de R$ 1 mil a R$ 3 mil. "São de 10 a 15 dias de investigação. Mas, as descobertas feitas são transmitidas ao contratante em tempo real", disse.
O processo, segundo o detetive, é completamente sigiloso. "O pagamento é realizado apenas depois de o serviço ser realizado. O nome do cliente não é exposto de maneira alguma", disse.
De acordo com Nunes, o acompanhamento da pessoa a ser investigada é realizado com vários equipamentos investigativos. "Utilizamos rastreadores via satélite para o cliente saber a localização da pessoa em tempo real, além do monitoramento de celular e computador", disse. As provas concretas são captadas por meio de filmagens e fotografias. "Temos equipamentos que captam uma imagem de qualidade em até um quilômetro de distância", falou.
O acompanhamento profissional demanda ainda mais discrição. Segundo o pofissional, são utilizados também equipamentos de campana. "Usamos pelo menos três automóveis diferentes em cada processo. Todos descaracterizados", disse.
ALÉM DA CORAGEM
De acordo com Nunes, mesmo com a realidade atual - em que as pessoas percebem que estão sendo seguidas, situação causada pelo medo de roubos e sequestros - é quase nula a possibilidade de um detetive profissional ser descoberto pelo investigado.
Mas, segundo ele, é preciso conhecimento técnico, não apenas coragem. "Se uma pessoa que não for do ramo tentar investigar alguém, é considerado crime. Já houve um caso em que o marido foi mandado para a delegacia ao seguir a esposa. Foi considerado exercício ilegal da profissão. Depois disso, ele nos procurou e virou nosso cliente", comentou.
Investigação em empresas fica em 2º lugar
Várias empresas ficam com o pé atrás quando se fala em acidente de trabalho. Muitas vezes, os funcionários alegam que não podem mais exercer a função por dores crônicas, pedindo aposentadoria por invalidez, com argumentos que não convencem o patrão. Vazamentos de informações confidenciais, espionagens, sabotagens e desvio de valores ou mercadorias também são outras preocupações empresariais. O jeito é procurar por um detetive. "Já resolvemos casos muito complexos deste gênero, em que foi preciso bastante tempo e trabalho, por até R$ 100 mil. Mas, há também situações mais simples, que podem sair por até R$ 1 mil", disse Nunes.
Segundo o detetive, houve empresas em Limeira que já ganharam causas judiciais por evidências obtidas por meio de investigação. "Acompanhamos um caso, certo tempo atrás, em que um homem estava pedindo uma indenização absurda para o local onde trabalhava. Ele também queria se aposentar pelo INSS, pois alegou uma lesão de coluna grave, decorrente de um acidente de trabalho", disse. A equipe, então, descubriu que se tratava de uma fraude: o rapaz trabalhava de pedreiro no tempo livre. "Tiramos fotos e o filmamos se movimentando tranquilamente e fazendo esforço físico sem problemas. A evidência culminou para a empresa no ganho da causa", falou.
Investigação virtual é novidade
Com a crescente utilização das redes sociais, como Facebook e Twitter, muitos acabam utilizando este meio para a traição. Algo recente no ramo de investigação, os detetives estão cada vez mais de olho nas ferramentas tecnológicas. "Tem gente que é leiga em questão de mexer no computador e acessar a internet. Ás vezes, há evidências que estão disponíveis para qualquer um na rede, e as pessoas acabam não tomando conhecimento", disse.
Há um caso em Limeira, de acordo com Nunes, em que as provas de infidelidade estavam no Facebook. "A esposa do cliente era mais jovem e trocava no mural do site, onde todo mundo podia ver, palavras de afeto com outro rapaz. Descubrimos posteriormente que eles estavam tendo encontros casuais", comentou.
Segundo o detetive, o método virtual de investigação pode ser ainda mais complexo. "Ás vezes, as pessoas são mais discretas e é um pouco mais difícil de descobrir a traição pela rede", disse. "Por isso, fazemos perfis falsos também, adicionamos a pessoa e sondamos se ela é ou não fiel. Tudo com total profissionalismo", disse.
De acordo com o profissional, no entanto, não é garantido que o problema seja encontrado. Há vezes, segundo ele, o cliente está equivocado. "Nós não vamos e nem podemos implantar evidências falsas. Acima de tudo o trabalho do detetive é a busca pela verdade. Seja ela qual for", comentou.
Investigo - Informações Reservadas
Telefone: (19)96353390 - (19)3035-3390
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